A origem da religião islâmica.


O islamismo foi fundado no ano de 622, na região da Arábia, atual Arábia Saudita. Seu fundador, o profeta Maomé, reuniu a base da fé islâmica num conjunto de versos conhecido como Corão - segundo ele, as escrituras foram reveladas a ele por Deus por intermédio do Anjo Gabriel.Assim como as duas outras grandes religiões monoteístas, o cristianismo e do judaísmo, as raízes de Maomé estão ligadas ao profeta e patriarca Abraão. Maomé seria seu descendente. Abraão construiu a Caaba, em Meca, principal local sagrado do islamismo. Para os muçulmanos, o islamismo é a restauração da fé de Abraão.Ainda no início da formação do Corão, Maomé e um ainda pequeno grupo de seguidores foram perseguidos por grupos rivais e deixaram a cidade de Meca rumo a Medina. A migração, conhecida como Hégira, dá início ao calendário muçulmano. Em Medina, a palavra de Deus revelada a Maomé conquistou adeptos em ritmo acelerado.O profeta retornou a Meca anos depois, perdoou os inimigos e iniciou a consolidação da religião islâmica. Quando ele morreu, aos 63 anos, a maior parte da Arábia já era muçulmana. Um século depois, o islamismo era praticado da Espanha até a China. Na virada do segundo milênio, a religião tornou-se a mais praticada do mundo, com 1,3 bilhão de adeptos.

Série Megacidades - Rio de Janeiro.


Dias antes de embarcar para Moçambique, no final de 2007, a atriz Regina Casé e o marido, o diretor de TV Estevão Ciavatta, encontraram-se com o DJ Marlboro. Espécie de ponte entre a cultura da periferia e o mainstream do show biz, levando o som do morro para o circuito de casas noturnas da zona sul, Marlboro mostrou a eles o funk Passinho do Basquete, música que tinha acabado de ser composta pelo quarteto Ousados, da favela do Jacarezinho, uma das mais miseráveis do Rio. De tão recente, nem tocava ainda nos programas de funk das rádios cariocas. Quatro dias depois, na periferia de Maputo, capital de Moçambique, onde foram gravar um programa, Regina e o marido encontraram um CD com Passinho do Basquete à venda numa banca de camelô. "Levamos um susto", lembra Ciavatta. Segundo ele, o episódio prova que as novas tecnologias tornaram as favelas independentes, mudando, por meio da produção cultural, a maneira como a pobreza se vê e como a cidade vê a pobreza. "A favela está indiferente à cidade formal", diz o diretor. "Não precisa dela nem para viver nem para se expressar. Com a internet, as periferias estão conectadas com o mundo. Tem lan houses em tudo que é favela, cobrando R$ 1 a hora."O caminho de Passinho do Basquete foi o mesmo de outros funks. O grupo colocou a voz na batida num computador caseiro. A música foi para sites de funk, páginas do Orkut e do MSN. Em Maputo, um produtor baixou a música da internet, gravou-a em CD e pôs à venda. Foi assim também com o hit Glamourosa, do MC (sigla de mestre-de-cerimônias) Marcinho, sucesso em Angola.Para o antropólogo Hermano Vianna, estudioso da cultura da periferia, o surgimento desses novos gêneros musicais contribui não apenas para a inclusão social, mas também para a diversidade. "O funk carioca, o tecnobrega do Pará, o novo forró eletrônico são indústrias culturais paralelas, à margem do modelo tradicional", analisa. "Com domínio da produção e da distribuição, eles não precisam de gravadora ou da grande mídia. Essa descentralização permite que o heterogêneo sobreviva. Antigamente, o que era feito na favela, como o samba, chegava à cidade através de alguém da indústria cultural. Hoje, não."Além de um meio de inclusão social, é um bom negócio. Funkeiros não ganham nada com a venda dos CDs caseiros, mas a fama os ajuda a lotar a agenda de shows pelo País e no exterior. Fora do Brasil, o funk carioca é ouvido, principalmente, em Angola, Moçambique e Portugal. Há casos como o do DJ Sany Pitbull, estrela dos bailes funk da favela do Cantagalo, em Ipanema, que também fazem sucesso em baladas de Nova York, Londres e Amsterdã, misturando toques de música eletrônica em seu estilo. Essa pequena revolução impulsionada pela web ajuda a traçar um perfil da periferia brasileira. "É um retrato multifacetado. São cenas diferentes com modelos de negócios diferentes. Funcionam como uma espécie de laboratório da indústria cultural do futuro", acredita Hermano.A produção artística é intensa - e organizada. André Luiz Fontana, o Pernalonga, ouve em média 200 CDs por semana para selecionar o que vale a pena ser apresentado ao DJ Marlboro. Se a música for boa, o DJ financia uma produção mais caprichada, em seu estúdio, e toca em seu programa de rádio. Pernalonga mora na favela da Árvore Seca, na zona norte. Todo sábado anima um baile ali mesmo. Em sua casa, de dois quartos, ajuda os MCs a colocarem voz na batida em dois computadores, um laptop e uma precária mesa de som. Tudo conectado à internet graças ao "gato velox", conexão clandestina em banda larga. Pernalonga aposta que o funk vai ter uma reviravolta quando o nível de estudo dos funkeiros melhorar. "Muitas vezes eles não conseguem se expressar porque não dominam o português. Mas eles têm talento. É uma luta brava."Aos poucos as letras deixam de lado o apelo excessivo ao sexo. "São um retrato do que é a vida nas favelas", diz Marlboro. O funk ainda tenta produzir uma letra tão forte quanto o Rap da Felicidade, da dupla Cidinho e Doca, lançado há mais de dez anos: "Eu só quero é ser feliz/Andar tranqüilamente na favela onde eu nasci/E poder me orgulhar/E ter a consciência que o pobre tem seu lugar." Cidinho e Doca têm seguidores, como Vinicius Alves da Silva, o MC Jack, e Anderson Gomes, o Chocolate, de Cidade de Deus, autores de Moral de Cria, manifesto contra a morte de crianças por bala perdida. Mas também fazem músicas bem-humoradas, como Rolé de Bicicleta, sobre meninas da favela: "Humilde trabalhador não faz o tipo das meninas/elas querem carro do ano e moto importada/se depender da gente as mercenárias estão ferradas." A carreira da dupla ia bem até Jack ser preso por roubo de carro. Passou dois anos preso e tenta recomeçar. Não é fácil. A tentação mora ao lado. Por isso o sucesso de funkeiros é tão importante. "O traficante era exemplo para a criançada. Só ele tinha carro, cordão de ouro. Hoje o MC é exemplo para a favela inteira", garante Marlboro.O reconhecimento na comunidade (e fora dela) provocou mudança de atitudes na favela. Nas músicas, nos roteiros que fazem para cinema, nas peças de teatro, os artistas da periferia carioca querem falar de seu cotidiano. E ele não se resume a violência, tráfico e mortes, como se imagina. "Queremos falar de amor, de relacionamentos", diz Luciana Bezerra, de 34 anos, diretora de cinema e atriz, moradora da favela do Vidigal. "E de homossexualismo e convivência", emenda Rodrigo Felha, de 28 anos, coordenador do curso de audiovisual da Central Única de Favelas, a Cufa, que funciona no coração da Cidade de Deus.Mais que admirar o esforço da turma, o cineasta Cacá Diegues se impressiona com a qualidade da produção. Há 14 anos, ele freqüenta favelas, fazendo documentários ou ajudando a criar cursos de audiovisual. "A periferia chegou à maturidade. No funk e agora no cinema, os moradores falam em seu próprio nome. E eles têm o que dizer." Por isso, há um ano, o cineasta revelado no filme Cinco Vezes Favela, de 1961, decidiu produzir o longa Cinco Vezes Favela, Agora por Eles Mesmos. São cinco episódios de 20 minutos cada um, feitos integralmente por moradores de favelas cariocas, do roteirista ao câmera, passando pelo diretor.Apenas um episódio menciona o tráfico de drogas, ao qual as favelas do Rio costumam ser identificadas. É o que conta uma história de amor em Parada de Lucas. "Eles não querem falar sobre violência porque a vida deles não é só isso", acredita Cacá. O filme, orçado em R$ 3 milhões, será rodado no segundo semestre. Cacá organizou cinco oficinas de roteiro nas favelas, com média de 50 pessoas por turma. Cada oficina escolheu seu roteiro. Só no Vidigal concorreram 80 textos. Venceu Acende a Luz, de Luciana Bezerra.Luciana aprendeu cinema no grupo Nós do Morro, que funciona numa bela casa no topo da favela, com vista para o mar do Leblon. Viu a vida mudar quando, há quatro anos, seu Mina de Fé ganhou o prêmio de melhor curta do Festival de Brasília. Hoje é roteirista do programa Dicas de um Sedutor, da Globo.Acende a Luz é um conto de Natal. Num 24 de dezembro, a favela amanhece sem energia. O funcionário da Light não consegue resolver o problema. O episódio é cheio de personagens divertidos. "Ele acaba refém da comunidade. Como é cheio de preconceito contra favelado, acha logo que vai ser morto", conta Luciana.Humor não falta também no roteiro de Felha, Arroz com Feijão, sobre um menino que faz de tudo para que o pai realize um sonho: comer frango no dia do aniversário. No desespero, rouba uma galinha do aviário, mas se arrepende, consegue ganhar o dinheiro, compra outra galinha e devolve a roubada com um cartaz: "Voltei." Felha começou como assistente de câmera do filme Falcões, Meninos do Tráfico, dirigido pelo rapper MV Bill, seu vizinho. Agora faz um documentário sobre homossexualismo nas favelas. Em oito anos de cinema, aprendeu uma lição. "Se um diretor que não mora em favela treme a câmera, todo mundo diz que é genial. Se a gente treme, vão dizer: ‘O cara não consegue nem segurar a câmera direito’." Cacá defende o rigor. "O filme tem que ser bom. Mas acredito que o cinema que está nascendo pelas mãos desses meninos possa mudar a face do cinema brasileiro.
"http://www.estadao.com.br/megacidades/rio.shtm

Entenda o conflito na Irlanda do Norte


Qual é a história da Irlanda do Norte?
A Irlanda do Norte se formou em 1921, depois que um acordo entre a Grã-Bretanha e a República da Irlanda - que declarou sua independência de Londres em 1916 - dividiu a ilha.Pelo acordo, 26 condados passaram a pertencer à Irlanda, enquanto outros seis condados do norte, parte da província do Ulster, ficaram sob o domínio do que passou a se chamar em 1927 de Reino Unido da Grã-Bretanha e da Irlanda do Norte.Quais os motivos do conflito na região?O principal motivo para o conflito está nas desavenças sobre se a região deve fazer parte da Irlanda ou do Reino Unido. Algumas pessoas, especialmente aquelas que pertencem à comunidade unionista protestante, defendem que a região deve continuar sob o domínio de Londres.Outras, particularmente aquelas que fazem parte da comunidade católica nacionalista, acreditam que a região deve deixar o Reino Unido para se anexar à República da Irlanda.As relações entre as duas partes começaram a ficar mais tensas a partir do final dos anos 1960, quando começou um ciclo de violência que durou mais de 30 anos, com episódios de tumultos nas ruas e campanhas de atentados a bomba. Até agora, mais de 3,6 mil pessoas morreram durante os conflitos, a maioria delas civis.Por que o exército britânico está na Irlanda do Norte?O Exército britânico foi posicionado na região para tentar manter a paz depois que o Royal Ulster Constabulary (força policial da Irlanda do Norte até 2001) perdeu o controle da situação.O Exército, no entanto, logo foi visto como uma força de ocupação pelos nacionalistas, o que fez com que as tropas fossem alvo de ataques de grupos paramilitares. No período mais tenso do conflito, 28 mil soldados britânicos estavam na região. Atualmente, há cerca de 5 mil homens.Quais são as negociações políticas?O processo de paz na Irlanda do Norte está sendo trabalhado nos últimos 20 anos. Participaram das negociações os governos da Irlanda e da Grã-Bretanha e políticos da região.Depois de declarações de cessar-fogo por parte do grupo paramilitar IRA (Exército Republicano Irlandês) e de grupos unionistas, começaram negociações entre os partidos políticos, que culminaram com o Acordo da Sexta-Feira Santa, de 1998.Em 2007, o Partido Unionista Democrático (DUP, na sigla em inglês) e o Sinn Fein (antigo braço político do IRA) chegaram a um acordo para a transferência do governo. Estes dois partidos dominam agora o cenário político da Irlanda do Norte. Desde 2008, o primeiro ministro do governo da região é Peter Robinson, membro do DUP, enquanto seu vice é Martin McGuinnes, um ex-comandante do IRA.Quem ainda é contra o processo de paz?Segundo especialistas em segurança, grupos republicanos dissidentes representam a maior ameaça ao processo de paz, sendo que muitos grupos paramilitares ainda estão em atividade.Entre esses grupos estão o chamadao Continuity Irish Republican Army (Continuidade do Exército Republicano Irlandês, em tradução livre), o IRA Real, o Exército de Libertação Nacional Irlandês e o Óglaigh na hÉireann. Informações dão conta de que os dois primeiros estariam "especialmente em atividade" e poderiam estar preparando novos ataques.
BBC Brasil - Estadão

Amazônia, a floresta sul-americana

Para os brasileiros, a Amazônia é sinônimo de riqueza nacional. Mas a maior floresta tropical do mundo se espalha por oito nações e um território. Uma descoberta mesmo para quem crê conhecê-la

Dentro do Brasil estão 65% da selva. Mas Bolívia, Peru, Equador, Colômbia, Venezuela, Guiana, Suriname e Guiana Francesa também se orgulham da floresta, e a usam como atrativo turístico.

A Amazônia tem o maior reservatório biológico da Terra - cerca de 30% das espécies terrestres de todo o mundo.

Um único arbusto da Amazônia brasileira pode ter mais espécies de formigas que as Ilhas Britânicas, e um só hectare, mais de 480 espécies de árvores

Tão importante quanto a biodiversidade das espécies é a riqueza humana da floresta. Em países como o Equador, os indígenas construíram força política e hoje lutam pela preservação da selva


A bacia do Amazonas acolhe mais de 30 milhões de pessoas, das quais mais da metade vive em centros urbanos.

Entre os principais problemas está a extração ilegal de madeira. Este é apenas o primeiro passo de um ciclo que pode envolver atividades econômicas que vão da pecuária à agricultura mecanizada.

No Brasil, a pecuária é acusada de empurrar a fronteira agrícola do país para dentro de mata virgem. Atrás dela, viriam as plantações de soja, e teme-se que o mesmo ocorra com o etanol.

Hoje, estima-se que a Amazônia absorva cerca de 10% das emissões globais de CO2 provenientes da queima de combustíveis fósseis em carros e fábricas.

Para proteger sua floresta, os países sul-americanos têm adotado estratégias diversas. A Guiana, por exemplo, é a favor de entregar a gestão da selva para estrangeiros - idéia polêmica no Brasil.


Já a Colômbia afirma que sua porção de floresta é uma das mais protegidas. O plantio de coca e as fumigações do governo destroem a floresta, mas o conflito afugenta os grandes negócios de impacto.BBC BRASIL

As origens do islamismo

Por Mônica Muniz
No século VII, a península arábica era habitada por povos que levavam uma vida nômade, divididos em tribos, incapazes de constituir uma federação mais ampla e estável. Ao sul da península, no Iêmen, havia formas de sociedades mais desenvolvidas. Importante porto, por ali passava todo o comércio vindo do Oriente, que ganhava o interior da península através de caravanas de cameleiros que iam até à Síria. Persas e etíopes disputavam a posse de pontos essenciais. Os sassânidas (persas) tinham o monopólio comercial do oceano Índico e queriam impedir a concorrência de Bizâncio que, pelo Egito, tentava infiltrar-se na região.
Península Arábica no século VIIEm decorrência, Meca tornara-se um centro comercial importantíssimo, rota de passagem entre o Iêmen e a Síria e o atual Iraque. Portanto, os árabes não viviam confinados, como podemos imaginar, mas nas fronteiras das duas grandes civilizações existentes então. Eram politeístas e a religião absorvia essa realidade, posto que sua fé refletia um pouco de todas as crenças populares do Oriente.
Rotas comerciais de grande uso entre os séculos VII e XVmuçulmana. Em Medina, já não é só a pregação de uma fé. Mohammad organiza uma comunidade dentro dos princípios islâmicos, cuja lei não está dissociada da fé, posto que sua origem é divina. Ao morrer, em 632, ele tinha deixado uma religião consciente de sua especificidade, esboçara um regime social externo e superior à organização social e unificara a Arábia, coisa até então inconcebível. Toda a Arábia havia se tornado muçulmana e os árabes já não mais estavam divididos entre a lealdade ao Islam ou às tribos, porque todos eram muçulmanos e o Islam havia absorvido a todos por igual.Em linhas gerais, o Islam é uma religião simples, isenta de dogmas e fundamenta-se em 5 pilares básicos: crença em Deus, nos Seus anjos, nos livros e nos mensageiros, no dia do juízo final, e na predestinação. São pilares da fé: o testemunho, a oração 5 vezes ao dia, o pagamento do zakat, o jejum no mês do Ramadã e a peregrinação, pelo uma vez na vida. São fontes do Islam: o Alcorão, a sunnah (ditos e atos) do Profeta e as biografias escritas.

Alcorão, Surata da AberturaApós a morte do Profeta, as antigas inimizades que tinham sido administradas por ele em vida, tornaram-se mais evidentes. A comunidade muçulmana de Medina estava constituída por quatro grupos principais: os muhajirin, muçulmanos de Meca, que tinham acompanhado o Profeta por ocasião da Hégira; os ansar, cidadãos de Medina, que tinham recebido os muçulmanos de Meca e lutado com eles; os partidários de â??Ali, que defendiam que o sucessor do Profeta deveria ser alguém da família dele (hashemita), no caso â??Áli ibn Abu Talib, genro e primo do Profeta; e os omíadas, pertencentes à aristocracia de Meca, cujo líder do clã era Abu Sufyan.Esses grupos, de uma forma ou de outra, achavam-se os legítimos sucessores do Profeta. O Profeta não havia determinado a forma de sucessão. Seguindo as tradições, em que a escolha do líder do clã era em função da experiência, sabedoria e prestígio, escolheram Abu Bakr para ser o primeiro califa. Não obstante umas poucas reações, não houve uma oposição declarada à indicação.Com a morte de Abu Bakr, assumiu o califado Omar ibn al-Khattab. Durante seu período, o império expandiu-se com as conquistas do Iraque, Palestina, Pérsia, Síria e Egito. Omar foi assassinado por um desafeto seu. O terceiro califa foi Osman ibn Affan, que era um membro da casa omíada. Osman governou por doze anos. Os primeiros seis anos foram marcados por uma paz e tranquilidade internas, mas, na segunda metade de seu califado as rivalidades ressurgiram e os descontentes, aproveitando-se da insatisfação entre as pessoas, começaram a conspirar contra Osman. Os rebeldes pediram a sua renúncia, e alguns dos companheiros até pediram que renunciasse. Certo dia, após um longo cerco, os revoltosos entraram em sua casa e o assassinaram.Quando 'Ali, primo e marido da filha de Mohammad, portanto um hashemita, foi escolhido como o quarto califa, encontrou forte oposição por parte de Muawiya, filho de Abu Sufyan, descendente do clã dos omíadas. Foram cinco anos de guerra civil entre hashemitas e omíadas, que culminaram com o assassínio de 'Ali. Muawiya tornou-se califa e estabeleceu a dinastia omíada, que governou o mundo muçulmano por 90 anos, de 661 a 750. As divergências entre omíadas e hashemitas dividiram o mundo islâmico e perduram até os dias atuais. Aqueles que defendem o direito dos descendentes de 'Ali ao califado, ficaram conhecidos como xiítas (Shia â??Ali - Partido de 'Ali) e, do ponto de vista espiritual, constituem um grupo separado dos sunitas, isto é, aqueles que seguem as sunas (ditos e atos) do Profeta.A expansão árabe, partindo de um emaranhado de tribos nômades, de um deserto remoto, para transformar-se no maior império do mundo, é um dos eventos mais impressionantes e dramáticos da história mundial. De início, essas conquistas não apresentaram efeitos perturbadores sobre as populações conquistadas. Não havia perseguição religiosa por parte dos muçulmanos, que apenas exigiam que os não-muçulmanos admitissem a supremacia política do Islam, materializada no pagamento de um imposto especial, na proibição de qualquer proselitismo junto a muçulmanos e no caráter puramente árabe do exército. Na verdade, essas restrições pouco afetavam o cotidiano dos povos vencidos. O que é fato é que a vida intelectual floresceu, tanto em Córdoba e Granada como em Damasco e Bagdá.Após 200 anos de iniciada a expansão islâmica, o domínio do Islam começa a se fragmentar em uma série de governos independentes, cada um deles com uma feição própria, e a supremacia titular do califado passa a ser questionada e, em alguns casos, recusada.Nos cinco séculos seguintes, as regiões centrais da Ásia começam a sofrer as invasões nômades e o mundo islâmico vai perdendo a unidade política e o brilho militar que haviam caracterizado os primeiros séculos do Islam. A Ásia Ocidental é ocupada pelos turcos seljúcidas, que passam a controlar o califado, partilhando com os fatimidas do Egito, o poder dominante da comunidade muçulmana. Tão importante quanto a chegada dos turcos, foi o surgimento dos mongóis na última grande invasão nômade.
Complexo arquitetônico de Alhambra -- século XIVEm 1492, o califado de Granada rendeu-se ao exército de Fernando e Isabela, da Espanha, marcando o fim do domínio islâmico na Europa ocidental. Em 1500, já não mais havia esperança de unidade política no mundo islâmico. Eram dois os principais centros islâmicos: o Egito e o império otomano. Duas grandes culturas dividiam os muçulmanos: a cultura árabe, com o predomínio do Egito, e a cultura persa, que se tinha difundido entre os grandes impérios continentais criados pelos povos turcos. Apesar disso, o Alcorão, as tradições e a lei, foram os instrumentos aglutinadores para transformar as divergências em uma força social, o que, em última análise, significava o domínio do árabe.Quando falamos em estado islâmico, estamos nos referindo ao período da história islâmica em que os princípios e as instruções do Islam foram totalmente aplicados em seu verdadeiro sentido. Esse período começa em 622 DC, quando o Profeta Mohammad estabeleceu o primeiro estado islâmico na cidade de Medina. Depois de sua morte, os quatro primeiros califas que se seguiram (Abu Bakr, Omar, Osman e Ali), aplicaram em sua totalidade todos aqueles princípios islâmicos. O período que se seguiu e que se estende até os dias atuais, podemos dizer que o sistema islâmico autêntico se modificou, transformando-se em monarquias, sem a participação popular na escolha de seus governantes. São sistemas hereditários, semelhantes aos tempos pré-islâmicos, baseados no sistema tribal. O Islam não reconhece esses governos e sequer pode ser responsabilizado por eles.Fonte: www.historianet.com.br

Relações entre o Brasil e Paraguai

O Brasil é visto com doses iguais de admiração e desconfiança pelo Paraguai. Os dois países estão ligados não apenas pela fronteira, mas pelo comércio e pela extensa comunidade brasileira que vive em território paraguaio, os chamados 'brasiguaios'.Uma convivência que, apesar de pacífica, exibe alguns pontos de tensão, considerados normais entre dois vizinhos tão próximos. Atividades ilícitas na região da fronteira, como contrabando, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro, além do comércio de reexportação, são algumas das questões polêmicas nas relações bilaterais.Os produtores brasileiros, que chegaram ao Paraguai na década de 70 e revolucionaram a agricultura local, introduzindo o cultivo da soja e técnicas modernas, também provocam tanto o reconhecimento por sua contribuição à economia quanto críticas por parte dos mais nacionalistas.Entre os temas controversos, porém, nenhum tem mais destaque atualmente que a Usina Hidrelétrica de Itaipu, construída em parceria entre os dois países. O Paraguai usa apenas 5% da parte que lhe cabe da energia gerada pela usina. O restante, é vendido ao Brasil, a preço de custo.O aumento do valor que o Paraguai recebe pela energia que vende ao Brasil está no centro da campanha para as eleições presidenciais no país, que ocorrem em abril. Todos os candidatos incluíram a revisão dos termos do Tratado de Itaipu, que deu origem à usina, entre suas propostas.O olhar do povoEm sua maioria, os paraguaios têm grande carinho pelos brasileiros, que consideram 'gente alegre e trabalhadora'. A convivência entre os dois vizinhos é intensa, tanto na presença de turistas, estudantes e imigrantes brasileiros no Paraguai, quanto no fluxo de veranistas paraguaios rumo a praias como a catarinense Camboriú - um dos destinos de férias favoritos em um país sem litoral.
No entanto, o tamanho do território, da população e da economia do Brasil fazem às vezes com que os paraguaios sintam-se pequenos diante do vizinho gigante. Muitos acreditam que seu país é deixado de lado em grandes decisões, como no âmbito do Mercosul, e que o Brasil usa seu poder como forma de pressão.O Brasil paga muito pouco ao Paraguai pela energia. Mas também é culpa do nosso governo. É ele que deve obrigar, ou pelo menos negociar isso.Adriana Insaurralde, administradora de empresasNos últimos meses, porém o Brasil tem sido um assunto cada vez mais comum no Paraguai devido a um tema específico: a discussão em torno da revisão do Tratado de Itaipu, que deu origem à usina hidrelétrica binacional e é um dos principaistemas da campanha para a eleição presidencial de 20 de abril.
As relações econômicas
Números
• População: 6 milhões
• PIB: US$ 31 bilhões
• Quanto o Brasil exporta para o país: US$ 1,6 bilhões
• Quanto o Brasil importa do país: US$ 434 milhões
• Saldo comercial com Brasil: US$ -1,2 bilhõesUm modelo econômico excessivamente dependente do Brasil faz com que muitos paraguaios tenham ressentimentos em relação ao vizinho e parceiro. O principal produto agrícola do Paraguai, por exemplo, a soja, foi introduzido por produtores brasileiros que atravessaram a fronteira na década de 70.Hoje, segundo analistas econômicos, a exportação de soja é um dos fatores principais do crescimento do PIB paraguaio, mas a importância dessa atividade não se traduz em benefícios diretos para o país, como aumento de empregos.Há ainda o excedente da energia gerada pela Hidrelétrica de Itaipu, que é vendido ao Brasil a preço de custo, conforme os termos do tratado assinado pelos dois países, o que vem provocando um amplo debate no Paraguai.Os paraguaios querem que o tratado seja revisto e que o Brasil pague preço de mercado pela energia, um tema que ganhou inclusive os discursos na campanha para as eleições presidenciais.
BBC BRASIL



Galeria - Canyons

O vermelho de cactus blooms aparece em um Grand Canyon vale. Cortadas pelo rio Colorado durante milhões de anos, o Grand Canyon é considerado um dos melhores exemplos de terras áridas-erosão em todo o mundo. O imenso canyon é 277 milhas (446 km) de comprimento e médias 4.000 pés (1.200 metros) de profundidade, mas é apenas 15 milhas (24 quilómetros) de diâmetro, na sua mais ampla.Fotografia por Barry Tessman.

Canyon de Chelly E.U. é único entre os parques nacionais, é composto inteiramente de Navajo Tribal Land Trust, que continua a ser a casa de um Navajo comunidade. Segundo a Navajo crenças, uma divindade chamada Spider Woman vivia em cima de Aranha Rock, o arenito monolito em primCarved rock trechos, tanto quanto os olhos podem ver no Canyon de Chelly National Monument no Arizona. eiro plano desta fotografia. Ela devorou crianças que comportado mal, branqueada e seus ossos transformaram o início do Rock Spider branco.Fotografia por Bill Hatcher.

Formações rochosas sacada do piso do Grand Canyon de Yellowstone National Park. Inundações derretimento de geleiras ajudaram a esculpir esta canyon, aprofundá-la e remover a maior parte da sua areia e cascalho.Por Norbert Rosing Fotografia

Sunlight sneaks nas fendas do Arizona's Antelope Canyon, pintando a ondulações crafted por anos de inundações e de outros processos erosivos. O slot canyon é um dos mais visitados no sudoeste canyons.Fotografia por Paul Nicklen


Uma cachoeira estabelece a verdadeira face do Grand Canyon no Arizona. Além do poderoso rio Colorado que atravessa o Canyon, de água, um recurso vital no árido sudoeste, existe sob a forma de nascentes, córregos, e se infiltra.Fotografia por Michael Nichols


Um slot canyon pontuação deserto do Arizona, a apenas um de muitos dotting do estado fronteira com Utah. Slot canyons são relativamente curtas e estreitas que podem ser invulgarmente canyons várias centenas de metros de profundidade. A região necessita de uma combinação especial de chuvas e características geográficas para tornar possível slot canyons. Pluviais e snowmelt cortar e esfregando o vermelho rock desta região para eons para formar essas faixas horárias.Fotografia por Bill Hatcher
No México, à esquerda, e os Estados Unidos sobre a direita, o Rio Grande forja uma clara barreira entre os dois países. Sobre os E.U. lado do rio através dos ventos Santa Elena Canyon no Texas "Big Bend National Park. Altaneiro 1.500 pés (460 metros de) falésias de calcário sólido marcar o canyon.Fotografia por Bruce Dale
A água corre em torno de rochas como o rio Colorado continua a reduzir o seu caminho através do Grand Canyon. Leva dois dias a pé ou mula para ir ao fundo do Grand Canyon e volta, e pelo menos duas semanas para completar a viagem através do canyon por balsa. Em 1963, o Glen Canyon Dam foi concluída a montante do Grand Canyon, a mudar radicalmente o fluxo do Colorado.Fotografia por Wilbur E. Garrett



Sheer basalto torres enraizada na inundação - Simen Montanhas na Etiópia - chamado de Africano Alpes - Fotografia por Michael Nichols


National Geographic


A volta do espectro de Malthus

Ainda é preciso verificar se as previsões pessimistas de Malthus estão se tornando realidade ou se simplesmente estão sendo adiadaspor Jeffrey Sachs

FOTOGRAFIA POR BRUCE GILBERT/INSTITUTO DA TERRA; ILUSTRAÇÃO POR MATT COLLINS.
Em 1798 Thomas Robert Malthus fez uma previsão famosa que ganhos de curto prazo nos padrões de vida, inevitavelmente seriam desestabilizados à medida que o crescimento da população mundial superasse a produção de alimentos, e assim levando os padrões de vida a voltar aos níveis de subsistência. "Estamos condenados pela tendência de a população crescer em progressão geométrica e a produção de alimentos em progressão aritmética”, comentava na época.Durante 200 anos, economistas afirmaram que Malthus ignorou o avanço tecnológico, o que teria permitido que a curva de crescimento da população se mantivesse à frente da curva de alimentos. O argumento é que a produção de alimentos pode na verdade crescer geometricamente porque além da terra, a produção depende também do know-how. Com os avanços na produção de sementes, nutrientes do solo, reposição de nutrientes ─ como fertilizantes químicos ─, irrigação, mecanização e outros, os suprimentos de alimentos podem permanecer bem à frente da curva de crescimento da população. Em outras palavras, os avanços tecnológicos em todos seus aspectos ─ agricultura, energia, uso da água, manufatura, controle de doenças, gerenciamento de informação, transporte, comunicações ─ permitem que a produção de alimentos cresça mais rápido que a população.Um outro fator, ao que tudo indica, que solapa o argumento de Malthus é a transição demográfica. De acordo com essa transição, as sociedades passam de condições em que altos índices de fertilidade são, a grosso modo, compensados por altos índices de mortalidade, para condições de baixos índices fertilidade, com baixas taxas de mortalidade. Malthus não contava com os avanços na saúde pública, planejamento familiar e métodos modernos de contracepção, que juntamente com a urbanização e outras tendências, resultariam num declínio acentuado nas taxas de fertilidade chegando até abaixo da “taxa de substituição” de 2,1 filhos por casal. Talvez a população do mundo tenha revertido sua tendência de crescimento em progressão geométrica.As críticas ao pessimismo de Malthus resistiram por longo tempo. De fato, quando eu estudava economia, o raciocínio de Malthus era alvo de galhofa, considerado por meus mestres como exemplo de previsão ingênua totalmente equivocada. Além disso, desde a época de Malthus, os salários médios no mundo todo aumentaram em pelo menos uma ordem de grandeza, de acordo com analistas econômicos, apesar de a população ter aumentado de cerca de 800 milhões em 1798 para 6,7 bilhões atualmente.Alguns economistas chegaram ao ponto de afirmar que o alto crescimento das populações teria sido a maior razão para a melhoria de padrão de vida, e não um entrave. De acordo com essa interpretação, a octuplicação no aumento da população desde 1798 fez crescer proporcionalmente o número de gênios, além disso, são os gênios os responsáveis pelos avanços globais da humanidade. Costuma-se dizer que uma grande população é tudo de que se precisa para promover o progresso.Na verdade o espectro de Malthus não foi exorcizado — ao contrário, longe disso. O aumento de know-how não só permitiu obter mais saídas para as mesmas entradas, mas também melhorou nossa capacidade de vasculhar a Terra em busca de mais entradas. Essa primeira revolução industrial começou com a utilização de combustíveis fósseis, particularmente o carvão, através das máquinas a vapor de Watt.A humanidade estava presa a depósitos geológicos de energia solar primordial, armazenada na forma de carvão, petróleo e gás para atender suas necessidades modernas. Aprendemos a escavar minerais em locais mais profundos, pescar com redes maiores, mudar o curso de rios para formar canais e represas, nos apoderar de mais habitats de outras espécies e derrubar florestas com ferramentas mais poderosas para limpar grandes áreas. Inúmeras vezes, não conseguimos mais por menos, mas ao contrário sempre, mais por mais, convertendo ricas histórias de capital natural em altos fluxos de consumo atual. Boa parte do que chamamos de “lucro” ─ no sentido lato do valor agregado à atividade econômica ─ é na verdade uma redução ou uma perda do capital natural.E embora o planejamento familiar e os métodos contraceptivos tenham de fato assegurado um baixo índice de fertilidade em muitas partes do mundo, a taxa de fertilidade geral permanece em 2,6, muito acima da taxa de substituição. A África subsaariana ─ região mais pobre do mundo ─ ainda tem uma taxa geral de fertilidade de 5,1 filhos por mulher, e a população global continua a crescer a uma taxa de cerca de 79 milhões por ano, com o maior aumento nos locais mais pobres. De acordo com previsões de fertilidade média da Divisão de População das Nações Unidas, estamos em vias de atingir 9,2 bilhões de pessoas na metade do século.Se de fato continuarmos a consumir uma quantidade desmedida de petróleo e tivermos falta de alimentos, se reduzirmos as reservas fósseis de água do subsolo e destruirmos as florestas restantes e devastarmos os oceanos e enchermos a atmosfera com gases do efeito estufa, que pode provocar descontrole no clima da Terra com elevação do nível dos oceanos, poderemos estar confirmando a maldição de Malthus, embora tudo isso possa ser evitado. A idéia que know-how aprimorado e redução voluntária de fertilidade possam sustentar um crescente nível de ganhos para o mundo parece correto, mas somente se futuras tecnologias nos permitirem economizar o capital natural e não apenas encontrar maneiras mais inteligentes de reduzi-lo, de forma mais barata e rápida.Nas próximas décadas teremos que migrar para energia solar e energia nuclear segura, uma vez que ambas fornecem, em princípio, energia limpa ─ se compararmos com a energia atual ─ adequadamente vinculadas a tecnologias aprimoradas e controles sociais. O know-how terá que ser aplicado a automóveis com alto rendimento (alta quilometragem por litro), agricultura com reaproveitamento da água e edifícios verdes que reduzam fortemente o consumo de energia. Teremos que repensar as dietas modernas e os projetos urbanos para conseguir estilos de vida mais saudáveis que também rejeitem padrões de consumo intensivo de energia. E teremos que ajudar a África e outras regiões a acelerar a transição demográfica para níveis de fertilidade de substituição, a fim de estabilizar a população global em torno de 8 bilhões.Não há nada, num cenário sustentável como esse que viole as restrições de recursos ou disponibilidade de energia da Terra. No entanto, ainda não estamos seguindo essa trajetória sustentável, e os sinais do mercado atual não estão nos conduzindo por esse caminho. Precisamos de novas políticas para movimentar o mercado de forma sustentável ─ por exemplo, taxando o carbono para reduzir emissões de gases do efeito estufa ─ e para promover progressos tecnológicos em economia de recursos e não em mineração de recursos. Precisamos de novas políticas que reconheçam a importância de uma estratégia de crescimento sustentável e mobilização global para consegui-la.Será que Malthus foi derrotado? Depois de dois séculos, realmente ainda ninguém sabe.
Jeffrey Sachs é diretor do Earth Institute da Universidade de Columbia (www.earth.columbia.edu).
Scientific American Brasil

Reflexos no Brasil de teterremotos distantes

REVISTA CH 249 :Artigo analisa abalos sísmicos relatados com freqüência cada vez maior em cidades brasileirasMoradores de prédios em diversas cidades brasileiras, em especial São Paulo, Brasília e Manaus, têm se assustado, nas últimas décadas, com abalos sísmicos que fazem com que os apartamentos balancem, as janelas trepidem e objetos se movam. Muitos deixam suas residências às pressas, acreditando que está ocorrendo um terremoto.O fenômeno, na verdade, é conseqüência de terremotos, mas em raros casos estes ocorreram no Brasil. Em geral, o que as pessoas sentem são reflexos de terremotos distantes. Tais reflexos são sentidos desde 1922 nos grandes centros urbanos brasileiros, embora tenha havido um aumento de ocorrências na última década. Usando a sismologia, busca-se compreender como e por que ocorrem os reflexos e o que causou o aumento de sua ocorrência no país.
Em 13 de novembro de 2006, o jornal Folha de S. Paulo publicou notícia com o título ‘Reflexos de terremoto na Argentina atingem quatro estados e o DF’. O abalo tinha acontecido, a grande profundidade, na província argentina de Santiago del Estero, e teve magnitude 6.8 na escala Richter. Outra notícia no mesmo jornal, em 16 de agosto do ano passado, dizia: ‘Tremor de terra sentido por moradores de Manaus’. Nesse caso, os manauaras sentiram os reflexos de um forte terremoto (de magnitude 8) ocorrido no Peru, que causou 510 mortes naquele país.Ultimamente, essas notícias tornaram-se freqüentes, e os ‘tremores’ chegam a assustar a população e até provocam a evacuação de grandes edifícios. No último dia 22 de abril, um tremor de magnitude 5.2, na plataforma continental brasileira, a 215 km da cidade paulista de São Vicente, foi sentido em várias cidades de São Paulo, Rio de Janeiro, Paraná e Santa Catarina. Entretanto, muitos dos abalos que assustam moradores de grandes centros urbanos brasileiros são reflexos de terremotos andinos – ocorridos na região da cordilheira dos Andes, a oeste da América do Sul.O primeiro registro no Brasil de tremores desse tipo, decorrentes da influência andina, ocorreu em 17 de janeiro de 1922, às 3h50 (horário de Greenwich). O terremoto, com profundidade de 650 km e magnitude 7.6, ocorreu no norte do Peru, a 1.300 km de Manaus, onde foram sentidos os reflexos. Desde então, foram registrados reflexos de 51 eventos distantes em cidades brasileiras, com notável aumento dessa ocorrência nos últimos 10 anos nas cidades de São Paulo, Manaus, Curitiba e Brasília. Esse aumento nos deixou curiosos, fazendo com que buscássemos, por meio da sismologia, respostas para esses reflexos no Brasil.De modo geral, a primeira explicação é a de que qualquer terremoto gera oscilações (ondas sísmicas) que podem, dependendo da energia liberada pelo fenômeno e de fatores geológicos, se propagar na crosta terrestre até longas distâncias. Os prédios mais altos sentem essas ondas sísmicas com maior facilidade.Quando acontecem terremotos com conseqüências graves (em 1976, na China, cerca de 250 mil pessoas morreram em um desses eventos), surgem dúvidas e questionamentos sobre certas definições tão distantes da nossa realidade. As mais comuns são as seguintes: O que é um terremoto? Por que tantos terremotos ocorrem na costa oeste da América do Sul? Acontecem – ou acontecerão – terremotos com a mesma magnitude no Brasil? O fenômeno tem alguma relação com o aquecimento global? Por que um terremoto tão distante é sentido em cidades brasileiras?George Sand FrançaObservatório Sismológico, Universidade de BrasíliaMarcelo AssumpçãoInstituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas,Universidade de São Paulo

Relações entre Brasil e o Chile

Sem fronteiras com o Brasil, o Chile é muitas vezes visto como um vizinho distante. Mas a presença brasileira no país está crescendo, principalmente no que diz respeito ao número de turistas brasileiros.Por outro lado, na opinião de analistas, a falta de limites comuns tem feito com as relações entre os dois países seja marcada pela falta de atritos.Para o diretor do Instituto de Estudos Internacionais da Universidade do Chile, José Morande, o Brasil ?é um referente permanente para a história política e para a história diplomática do Chile?, principalmente em momento de conflito com outros vizinhos.Economicamente, o Chile é o segundo principal parceiro do Brasil na América do Sul em volume de negócios, ficando atrás apenas da Argentina. Mas o país andino tem adotado um modelo de desenvolvimento diferente do brasileiro e se caracteriza por ter uma das economias mais abertas do continente.Economistas acham que as relações podem avançar à medida em que investimentos brasileiros no país cresçam, o que vem de fato ocorrendo, principalmente no setor de mineração, e à medida em que o Chile tente se firmar como um país que servirá de plataforma de exportação para os mercados asiáticos, oferecendo serviços aos vizinhos.Os governos brasileiro e chileno, juntamente com o boliviano, se dizem comprometidos com a integração física entre os países, e esperam concluir, até o ano que vem, um corredor interoceânico que ligará os portos do norte do Chile ao porto de Santos, em São Paulo.
O olhar do povo
Os chilenos demonstraram simpatia em relação ao Brasil e ressaltaram a imagem do vizinho como país alegre e de gente amável. O número de turistas do Brasil no Chile vem crescendo, mas muitos chilenos dizem também conhecer brasileiros que vivem no país.
Há muitos brasileiros trabalhando aqui. São boa gente, trabalhadores, empreendedores.Emilia Contrera, comercianteA BBC Brasil entrevistou moradores na capital Santiago e na cidade portuária de Iquique. Apesar de terem em mente o estereótipo do país do futebol e das mulheres bonitas, alguns destacaram os problemas sociais brasileiros.O Brasil me parece um país onde a 'torta' econômica está muito mal repartida.Juan Cristóban, advogadoA falta de fronteiras provoca reações distintas entre os moradores. Alguns já visitaram o vizinho e não acham que a falta de fronteiras seja um fator importante, mas outros pensam que o Brasil ainda é um país distante.
As relações econômicas
Números
• População: 16 milhões
• PIB: US$ 202 bilhões
• Quanto o Brasil exporta para o país: US$ 4,2 bilhões
• Quanto o Brasil importa do país: US$ 3,4 bilhões• Saldo comercial com Brasil: US$ -781 milhõesEm 2007, o Chile foi o oitavo mercado fornecedor de produtos para o Brasil e as importações do país vizinho aumentaram 21,5% em relação a 2006, mais do que as exportações, que aumentaram 9%. Em volume de negócios, o Chile é o segundo principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul, atrás da Argentina.Ao contrário do Brasil, o Chile tem uma das economias mais abertas da América do Sul, com poucas barreiras à entrada de produtos de outros países.Apesar de intercâmbio comercial entre os dois países vir crescendo, a participação do Brasil no intercâmbio comercial global do Chile vem caindo. Por outro lado, a China se consolida como um parceiro cada vez mais importante para o país andino.O Brasil exporta principalmente produtos petrolíferos para o Chile. O principal produto importado é o cobre. Os investimentos brasileiros no país vêm aumentando, principalmente no setor de mineração.
BBC BRASIL

Caatinga

(...) Quando há inverno abundanteNo meu Nordeste queridoFica pobre em um instanteDo sofrimento esquecidoTudo é graça, paz e risoReina um verde paraísoPor vale, serra e sertãoPorém não havendo invernoReina um verdadeiro infernoDe dor e de confusão.
Patativa do Assaré
Caatinga em tupi guarani significa “mata branca”. É o nome genérico dado à vegetação predominante na região semi-árida nordestina por ter como característica a formação de matas secas e abertas, com árvores baixas e espinhosas. A caatinga é, possivelmente, herança seca de parte de uma floresta tropical sazonal que ocupou grandes áreas da América do Sul em períodos mais secos e frios durante o Plistoceno, período recente na história geológica, que durou cerca de 1 milhão de anos e no qual surgiu a maior parte das espécies atuais.Pouco estudado, é o domínio com maiores lacunas de conhecimento – especialmente as relações filogenéticas das espécies da flora – e, ao mesmo tempo, é o semi-árido mais habitado no mundo, com aproximadamente 23 milhões de brasileiros em 720 mil quilômetros quadrados.Testemunhas do passadoEntre as chapadas das Mangabeiras e do Espigão Mestre, no lado ocidental, e o Planalto de Borborema e a Chapada Diamantina, no lado oriental, ocorrem os “inselbergs”, literalmente, “montanhas-ilhas”. São morros isolados – também chamados de colinas no sertão – que surgem em áreas mais planas, constituídos de terrenos cristalinos de composição gnaisse ou granítica mais resistentes à pediplanação – processo de erosão típico de climas semi-áridos quentes ou áridos do globo.
Do Terciário em diante, as pediplanações promoveram o aplanamento de extensas superfícies, como o caso no Nordeste brasileiro. Os materiais que foram, ao longo do tempo, deslocados dos setores topográficos superiores foram transportados pelos rios na forma de um leque nos setores mais baixos, formando um lençol de detritos. Os pequenos trechos mais resistentes deram origem aos “inselbergs”, testemunhas da topografia passada.
DESERTIFICAÇÃO VS. CONSERVAÇÃO
Apesar de não ter a mesma biodiversidade da floresta Amazônica e da mata Atlântica, a caatinga – que tem como destaque plantas como a barriguda, o juazeiro e o xiquexique – está muito longe de ser considerada um deserto. Porém, é preciso lembrar que o quadro de degradação, intensificado por práticas agrícolas inadequadas, tem acelerado o processo de desertificação. Além disso, algumas espécies de sua rica fauna estão ameaçadas de extinção.Para evitar que o pior aconteça, foram criadas algumas Unidades de Conservação. As maiores áreas de proteção das caatingas são a Reserva.
Ecológica do Raso da Catarina, situada no norte da Bahia e o Parque Nacional da Serra das Confusões, no Piauí. Além dessas, há destaque para outros parques nacionais do sertão nordestino: a Chapada Diamantina (BA), onde se encontra grande parte das nascentes dos rios baianos; o Parque Nacional de Ubajara, localizado na Serra do Ibiapaba (CE), foi criado com o objetivo de conservar os mananciais e atributos geomorfológicos da região; o de Sete Cidades (PI), que abriga inúmeras formações rochosas esculpidas pela ação do vento; e o da Serra da Capivara, também no Piauí, que abriga um dos mais importantes sítios paleontológicos do Brasil.Interessante observar que todos os rios do Nordeste chegam ao mar em algum momento do ano. É chamada de drenagem exorréica, que independente de ser perene ou temporária é organizada até o mar. Deste fato decorre uma característica muito original da caatinga em relação a outras áreas semi-áridas do mundo: os cursos d’água do Nordeste apresentam baixa salinidade, com pequenos pontos onde ocorrem riachos curtos e “salgados”. No Rio Grande do Norte, as planícies próximas ao nível do mar com salinização mais acentuada correspondem a velhos estuários assoreados, onde foram estabelecidas as maiores salinas brasileiras.
Médias pluviométricas
A caatinga é uma paisagem que se diversifica em suas configurações conforme se combinam depressões, colinas, superfícies inclinadas, planaltos e solos. O ritmo climático de suas águas, como nos outros domínios, é espelhado visualmente na vegetação. São as fisionomias vegetais que permitem perceber a distribuição das chuvas nessas depressões interplanálticas e intermontanas. Não basta a informação das médias anuais de chuva – que vão de 200 a 1,5 mil milímetros –, é necessário entender por quantos meses essas médias se distribuem.
Um estudo dos anos 1970, da Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), organizou a região em quatro faixas de climas secos, mais tarde denominados de a) semiárido acentuado ou subdesértico; b) semi-árido rústico; c) semi-árido moderado; e d) semi-árido passando a úmido, que corresponderia já às faixas de transição a leste para o domínio da Mata Atlântica, e a oeste para o domínio Amazônico.Na faixa do semi-árido acentuado ou subdesértico, as médias pluviométricas vão de 200 a 800 milímetros anuais, concentradas em três ou quatro meses, estendendo-se para oito ou nove meses sem chuva alguma, correspondente ao norte da Bahia, do oeste de Alagoas ao Ceará, ao interior de Pernambuco, à Paraíbae ao Rio Grande do Norte (veja mapa). À medida que se afasta dessa faixa, a distribuição das chuvas dura por mais meses, e multiplicam-se as combinações de paisagens secas caracterizadas pela diminuição da semi-aridez. Há algumas exceções como em Cariris Velhos, na Paraíba, onde a média de 264 milímetros anuais, mas chove o ano inteiro, porque esse pequeno trecho rebaixado do Planalto da Borborema recebe chuvas vindas do leste, no inverno, e do oeste-noroeste, no verão.
Vegetação e “oásis”.
Há a caatinga seca formada especialmente de cactáceas, bromeliáceas e vegetação herbácea, depois a arbustiva e, por fim, a arbórea. Mesmo nas faixas menos secas, os arbustos e as árvores isoladas apresentam uma característica comum: as folhas são pequenas – o que evita a perda de água pela evapotranspiração – e decíduas – caem totalmente no período seco. Também possuem raízes longas para buscar água em lençóis freáticos (como o juazeiro).
No meio da semi-aridez, a caatinga surpreende com suas “ilhas de umidade” e solos férteis. São os chamados brejos, que lembram os oásis dos desertos verdadeiros. Surgem e quebram a monotonia das combinações do meio físico dos sertões. Nos brejos, é possível produzir quase todos os alimentos e as frutas comuns aos trópicos. Gêneros de plantas da família das leguminosas, como acácia e mimosa, são bastante comuns. A presença de cactáceas, notavelmente o cacto mandacaru (Cereus jamacaru) e a bromélia (Encholirium spectabile) são símbolos visuais da caatinga.Sendo um mosaico de arbustos espinhosos e florestas secas, por muito tempo foi considerada como um domínio de baixa diversidade e pobre em endemismos. Mas os estudos mais recentes revelam que essa impressão não corresponde à realidade: há muito mais lacunas de conhecimento da biota do que homogeneidade.Um estudo de vegetação em um único topo de um inselberg na Bahia concluiu pela presença de 34 espécies. As famílias Bromeliaceae e Euphorbiaceae foram as mais ricas. Embora as espécies sejam de ampla distribuição, as áreas amostradas são ínfimas e não devem sugerir baixa diversidade.
Em relação às áreas menos alteradas, a diferença entre os domínios de paisagens brasileiras deve ser interpretada como diferentes processos biogeográficos, sem se confundir com juízosde valor.Afinal de contas, não faz sentido cair na armadilha conceitual de atribuir maior importância a um ou outro domínio.•Revista Discutindo Geografia

A Amazônia em números

Raio X da Ocupação da Amazônia
Região da bacia amazônica
: região compreendida pela grande bacia do rio Amazonas, a maior bacia hidrográfica do planeta. São 25 mil quilômetros de rios navegáveis.A área abrange seis países: Brasil, Peru, Bolívia, Equador, Colômbia Venezuela.No Brasil, o conceito de Amazônia Legal foi criado em 1966. Atualmente inclui: Amazonas, Acre, Pará, Amapá, Roraima, Rondônia, Mato Grosso, Maranhão, Goiás e Tocantins.A Amazônia Legal tem 5 milhões de quilômetros quadrados.A Amazônia Legal abrange 59% do território brasileiro, distribuído por 775 municípios.Representa 67% das florestas tropicais do mundo.Se fosse um país, a Amazônia Legal seria o 6º maior do mundo em extensão territorial.Um terço das árvores do mundo estão na região, além de 20% das águas doces.De acordo com o último censo demográfico da região (IBGE 2000), a região tem 20,3 milhões de moradores, sendo 68,9% residentes na área urbana e 31,1% na área rural.A Amazônia Legal abriga 12,3% da população brasileira (Estimativa IBGE 2004).O Estado mais desmatado (em comparação à extensão total do Estado) é Rondônia, onde o percentual de área desmatada é de 28,5%. Até 1978, a área desmatada no Estado era de 1,76%, chegando a 24% em 1999. O crescimento da população é apontado como responsável pelo desmatamento: entre 1970 e 1980, esse crescimento foi de 324%.O número de imóveis rurais na região Norte do país, onde se encontra a maior parte da Amazônia Legal, cresceu 163% de 1992 a 2003, chegando a 30,4 milhões de imóveis. Foi a região que mais cresceu no período (Incra). Segundo o Incra, esse aumento é consequência principalmente da incorporação de novas terras. Além disso, a taxa de crescimento foi concentradora, pois a taxa de crescimento de área foi duas vezes superior à taxa de aumento do número de estabelecimentosNa Amazônia Legal, em 2003, as áreas de "posses" totalizavam 35 milhões de hectares, o que correspondia a 19,8% da área total dos imóveis da região e 52,8% da área total dos imóveis de "posse" do Brasil.No Brasil, os grilos somam 36,7 milhões de hectares, sendo 25,4 milhões de hectares na Amazônia Legal.De 1996 a 2006, a área destina a lavouras na região Norte cresceu 275%, chegando a 7,4 milhões de hectares. Já as pastagens cresceram 33% no mesmo período.Programa Terra Legal (fruto da MP 458)Área total: 67,4 milhões de hectares (ou 67 mil quilômetros quadrados). São terras públicas federais ocupadas por pessoas que não têm a documentação.Desse total, 283 mil (95,5%) têm até 400 hectares.Cerca de 1,2 milhões de pessoas vivem nessa área (estimativa do governo).Estudos da ONG Imazon (Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia)
* SAD (Sistema de Alerta de Desmatamento)
Em 2003, o cadastro do Incra continha 302 mil registros de posse somando aproximadamente 42 milhões de hectares ou 23,7% da área dos imóveis da Amazônia cadastrados no Incra.Em 2007, as áreas protegidas (terras indígenas e unidades de conservação) e reservas militares somavam aproximadamente 43%3 do território da Amazônia Legal ou em torno de 209 milhões de hectares.Ainda segundo o Imazon, mais de metade (53%, ou cerca de 2,6 milhões de quilômetros quadrados) da Amazônia Legal possui situação fundiária incerta.Em 2002, aproximadamente 47% da Amazônia brasileira estava sob algum tipo de pressão humana, incluindo desmatamento, zonas de influência urbana, assentamentos de reforma agrária, áreas alocadas para prospecção mineral e reserva garimpeira, bem como áreas sob pressão indicadas pela incidência de focos de calor (queimadas) em florestas.Aproximadamente 80% da área desmatada está até 30 km das estradas oficiais (número referente a 2002).Dados da FAO revelam que, de 2000 a 2005, o Brasil respondeu por 42% da perda florestal líquida global - dos quais, a maior parte ocorreu na Amazônia brasileira.Entre 1990 e 2003, o rebanho bovino na Amazônia Legal Brasileira aumentou de 26,6 milhões para 64 milhões de cabeças, o que representa um aumento de 140 % (IBGE 2005).O numero de cabeças de gado no Estado do Amazonas saiu de 733,9 mil em 1995 para 1,2 milhão em 2006 (Censo Agropecuário IBGE).Entre 1960 e 2001, a população total da Amazônia Legal aumentou de cerca de 4 milhões para mais de 20 milhões (IBGE 2002).Produto Interno BrutoEm 2002, o Produto Interno Bruto (PIB) da Amazônia Legal era de R$ 82 bilhões (US$ 27,5 bilhões) (Ipea, 2002). Na época, esse valor correspondia a 6,1% do PIB nacional. Os Estados do Pará, Amazonas e Mato Grosso representavam conjuntamente 70% do PIB da região.O PIB per capita da Amazônia Legal, em 2002, era igual a R$ 7,4 mil, ou US$ 2,1 mil; o PIB per capita médio brasileiro era de R$ 12,9 mil, ou US$ 3,65 mil.Cobertura Vegetal.
As florestas (densas, abertas e estacionais) cobrem 64% da Amazônia Legal. As formações não-florestais - compostas por cerrados, campos naturais e campinaranas - cobrem outros 22%. O restante, 14% da cobertura vegetal da Amazônia, foi desmatado até 2004.Aproximadamente 24% da Amazônia Legal é composta por áreas privadas (IBGE, 1996).Estimativa da Imazon, com base em imagens de satélites, aponta a existência de 95,4 km de estradas clandestinas na Amazônia Legal, a maior parte no Estado do Pará.
BBC BRASIL - 2009







Planícies aluviais

Muitas comunidades se organizaram em torno das planícies aluviais, áreas inundáveis adubadas naturalmente pelas cheias Fabrícia Massoni As áreas predominantemente planas, onde ocorre um forte acúmulo de sedimentos, sempre atraíram as sociedades humanas devido a sua fertilidade. Locus privilegiado de ocupação, esse tipo de terreno plano que se alonga a partir das margens de um rio é denominado planície aluvionar, aluvial ou planície de inundação.Popularmente conhecidas como várzeas, essas planícies são áreas inundáveis, afetadas pelas cheias anuais e periódicas. Têmforma alongada e são compostas por sedimentos finos (siltes e argilas) e matéria orgânica em abundância, que ficam em suspensão quando ocorre o extravasamento das águas e depois se depositam, formando camadas laminares de sedimentos.Normalmente, as planícies aluvionares ocorrem no médio e baixo curso de um rio, onde o relevo, mais arrasado pela erosão, apresenta pequeno gradiente (declividade) topográfico. Nessas regiões a energia do rio diminui, permitindo que os sedimentos carregados em suspensão se depositem no fundo do canal. É um processo de assoreamento natural responsável pela redução da profundidade do rio e que facilita a ocorrência de transbordamentos.A característica mais marcante das planícies aluvionares é o fato de essas áreas serem naturalmente suscetíveis a inundações. Em épocas de cheia, o canal fluvial extravasa e inunda a região da planície. Com o transbordamento, formam-se diques nas margens dos rios e depósitos de várzea que se espalham pela planície.Quando ocorre uma inundação, além dos sedimentos, aságuas dos rios lançam enorme quantidade de nutrientes em suas planícies aluviais, o que torna o solo muito fértil para o plantio. É um processo de adubação natural do qual os antigos habitantes da planície do rio Nilo já se beneficiavam desde o século 5 a.C.
O mesmo acontece em diversas planícies de rios brasileiros, onde é comum a presença de roças ou extensas plantações irrigadas.As planícies aluvionares são áreas propícias à formação de depósitos de turfa – material orgânico natural, de coloração preta, derivado de restos de vegetais que crescem em áreas constantemente inundadas. Esse composto desperta grande interesse econômico, pois apresenta consagrado uso como fonte alternativa de energia. Além disso, cresce a utilização da turfa na agricultura, como insumo para produção de biofertilizantes.As vegetações típicas dessas planícies são denominadas matas ciliares ou florestas galerias e se caracterizam por proteger o solo de processos erosivos que podem assorear os leitos dos rios. Além da ação estruturante das raízes que sustentam o solo, as folhas das copas das árvores exercem papel muito importante na proteção contra erosão, pois formam uma barreira física e retêm a maior parte das gotas de chuva, permitindo, assim, que a quantidade deágua que atinge o solo se infiltre, e não escoe superficialmente.Enchentes urbanasEm áreas urbanas é comum a ocupação das planícies aluvionares dos rios que cortam as cidades, o que invariavelmente expõe os moradores desses locais ao drama das inundações.
O problema é agravado pela impermeabilização do solo, causada pelo grande número de edificações e pela pavimentação da superfície do terreno.Essas construções impedem a infiltração das águas das chuvas que alimentam os aqüíferos e proporcionam um grande escoamento superficial diretamente para os canais dos rios. Estes, por sua vez, não suportam o volume excessivo de água e transbordam com mais facilidade e freqüência que o normal.Na cidade de São Paulo destacam-se as planícies dos rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí. Originalmente meândricas, elas foram intensamente remodeladas pela ação humana, graças a retificações dos canais e aterramento das várzeas. Na época das chuvas, mesmo quando o canal desses rios não atinge a sua vazão-limite, em regiões topograficamente mais baixas dessas planícies o sistema público de drenagem de águas pluviais não é totalmente eficiente, e o acúmulo de água provoca inundações.(veja o quadro “Meandros”).Além dos problemas das inundações, a ocupação das planícies aluviais por construções também é um fator crítico do ponto de vista da engenharia. Quando submetidos a cargas (peso das edificações), os solos argilosos que compõem essas áreas podemcomprimir-se e se deformar, ocorrendo um afundamento do terreno e originando os chamados recalques de solo. Conforme a magnitude e o tipo de recalque, pode-se comprometer estruturalmente uma edificação e até ocasionar o seu desabamento.Nas obras em que são realizadas escavações no terreno, como construções de garagens subterrâneas com abertura de valas ou escavações de túneis, esses problemas são potencializados. Nesses casos, para aliviar a pressão da água no solo e tornar a obra mais segura, faz-se necessário o rebaixamento do nível do lençol freático por meio de poços que bombeiam aágua subterrânea. Quando essa prática é realizada em regiões de depósitos aluviais, a drenagem da água faz com que os grãos que compõem o solo percam sustentação e sofram acomodação, o que pode determinar recalques de grandes magnitudes e conseqüentes danos a edificações.Em síntese, as planícies aluviais são áreas com características inerentes aos processos da dinâmica natural dos rios, cujos limites devem ser respeitados, e nas quais a ocupação humana deve fundamentar-se em conhecimento técnico-científico.
Fabrícia Massoni é geóloga formada pela Universidade EstadualPaulista (Unesp – Rio Claro).



A guerrilha mais antiga do continente americano.

Por Anselmo MassadO colombiano Gabriel Garcia Márquez, Nobel de Literatura em 1982, narrou os 32 levantes armados promovidos pelo coronel Aureliano Buendía, todos perdidos, em guerras civis contra os conservadores, em Cem Anos de Solidão (1967). O cenário poderia ser de outros países latino-americanos, mas a inspiração para a ficção veio do país do escritor, na Guerra dos Mil Dias travada entre conservadores e liberais, encerrada em 1902. Variações do coronel Buendía poderiam ser personagens de pelo menos dois outros confrontos internos, nas disputas de 1948 a 1953, período chamado de “La Violencia”, ou no momento atual, em que guerrilhas disputam o controle sobre territórios no país. Os conflitos prolongados têm história na Colômbia.A disputa entre conservadores e liberais terminou em 1953 com concessões aos liberais e um governo de uma junta militar que abriu espaço para a retomada de eleições com a Frente Nacional. Grupos mais radicais, de cunho socialista, consideraram-se traídos e optaram por manter a luta armada nos anos seguintes.Um deles, composto por 48 camponeses comunistas inspirados no modelo de Fidel Castro em Sierra Maestra, comandados por Manuel Marulanda – conhecido como Tiro Certo – estavam em Marquetália, município do departamento de Caldas, a noroeste da capital Bogotá, em 27 de maio de 1964. Cercados por tropas do exército, fugiram para as montanhas da região, o que faz da data o marco de fundação da maior e mais antiga guerrilha do continente, as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (Farc-EP). A partir de um programa de conquista do poder popular, o grupo cresceu em número de guerrilheiros e em influência, alcançando de 15 a 30 mil integrantes – a depender da fonte – divididos em frentes de ação por todo o território.Outros grupos de esquerda surgiram no mesmo ano, como o Exército de Libertação Nacional (ELN), de orientação guevarista, e o Exército Popular de Libertação (EPL), com origem nas concepções da Revolução Chinesa. Por outro lado, egressos de guerrilhas liberais desmanteladas com os acordos do fim da guerra civil foram recrutados por latifundiários, formando os primeiros grupos paramilitares.


Fora da regraDiferente dos conflitos colombianos anteriores, a bipolaridade do mundo à época estava presente com toda a força. A Guerra Fria alimentava esse tipo de conflito, na visão do professor de Relações Internacionais da Universidade Federal Fluminense, Williams Gonçalves. “Na década de 1990, sem a polarização do mundo, houve uma tendência em toda parte no sentido do diá­logo, em Angola, na África do Sul, na América Central, na medida em que se desfez o ambiente favorável ao conflito”, prossegue. A tendência, porém, não encerrou a disputa na Colômbia. Uma das principais razões para a manutenção das Farc, dos paramilitares e de outros grupos guerrilheiros está no tráfico de drogas. “É possível que o tráfico tenha sido a saída para assegurar a conquista de posições territoriais inacessíveis ao Estado colombiano, mesmo com forte apoio financeiro e bélico por parte dos Estados Unidos”, avalia Gonçalves. Para ele, há um aspecto ideológico ao se usar dinheiro do que é considerado o “veneno” da sociedade capitalista para financiar um grupo que luta por uma forma de poder antiimperialista. “Por que não usar o dinheiro do próprio imperialismo?”, resume.

O vínculo com o narcotráfico precisa ser compreendido dentro da dimensão que a atividade adquiriu na Colômbia no final da década de 1970 e com mais profundidade na de 1980, com os cartéis do narcotráfico. Yolanda Pulecio, mãe da senadora Ingrid Betancourt, mantida refém das Farc desde 2002, em entrevista ao portal G1 em novembro de 2006, disse a respeito das relações das Farc com o narcotráfico: “Na Colômbia, o narcotráfico sustenta tudo. Sustenta o Congresso, os congressistas eleitos, sustenta a guerrilha.” Para Luis Varese, jornalista e antropólogo peruano, representante do Alto Comissariado das Nações Unidas para Refugiados (Acnur) no Brasil, seria simplismo atribuir exclusivamente ao tráfico a causa da manutenção dos conflitos. “Há fatores políticos e sociais dos atores envolvidos que não podem ser desprezados”, sustenta. Entre esses fatores está o acirramento promovido por acordos de cessar-fogo estabelecidos e descumpridos, além das tentativas de sufocar a guerrilha colombiana pelo uso da força. A mais recente investida, a partir de 1998, foi o Plano Colômbia. Tendo como alvo os “narcoterroristas”, a ação não conseguiu solucionar o impasse, e levou a inúmeros casos de violações de direitos humanos.Há ainda o fortalecimento dos grupos paramilitares. Criada em 1997, a Autodefesas Unidas Colômbia (AUC), de extrema-direita, é hoje o principal desses grupos. Sua origem deu-se no contexto do governo de Andrés Pastrana, por meio de uma aliança entre a AUC, a direita política e os proprietários de terra para fazer frente ao controle territorial das guerrilhas de esquerda. Mais tarde, entre 2003 e 2005, o Plano Patriota promovido pelo governo uribista levou à desmobilização e deposição das armas por parte da AUC em troca de anistia. Apesar de se declarar inativa, gravações telefônicas apontaram que alguns de seus membros voltaram a operar ou se reorganizaram em outros grupos. Tamanho vínculo entre a AUC e as elites se converteu em problemas para parte das figuras de destaque do Partido de Convergência Cidadã (PCC), do presidente Álvaro Uribe. 13 parlamentares foram presos de fevereiro a maio de 2007, acusados de ligação com paramilitares, incluindo o irmão da chanceler María Consuelo Araújo.Mediação internacional Luis Varese, defensor de soluções negociadas, destaca a necessidade de engajamento das partes envolvidas diretamente para que qualquer processo de pacificação possa vingar. A observação serve como uma primeira ressalva às intenções manifestas por líderes de outros países na mediação das negociações, além da intervenção das próprias Nações Unidas.Os presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da Argentina, Cristina Fernandes Kirchner, manifestaram disposição semelhante. Diante de avanços de Hugo Chávez, imbuído nas negociações desde agosto de 2007, sobre o seqüestro de Ingrid Betancourt, que tem cidadania francesa, o presidente Nicolas Sarkozy manifestou interesse em ajudar na negociação da libertação.Chávez foi desqualificado pelo presidente Álvaro Uribe. O episódio-estopim do rompimento foi um contato telefônico direto entre o venezuelano e o comandante do exército, general Mario Montoya. A disputa terminou em troca de insultos entre os mandatários.“Não interessa a Uribe e aos Estados Unidos uma mediação bem sucedida do presidente da Venezuela, por menor que fosse o avanço”, avalia Gonçalves. No caso de Lula, a mediação pode ter mais chances de sucesso, na medida em que ele representa uma linha à esquerda menos conflituosa e mais moderada.Gonçalves ressalva que, ao se referir aos interesses estadunidenses, não quer dizer necessariamente os dos escritórios de Washington, mas do ideário arraigado nas elites e na direita colombiana que, pela proximidade geográfica e pelas relações estabelecidas historicamente, são mais intensos do que em outras partes do continente. O momento em que as negociações mais se aproximaram da paz foram nos acordos e Uribe, em 1984, com cessar-fogo que durou até 1990. As Farc formaram a União Patriótica como braço político institucional, que obteve alguns importantes resultados eleitorais. Jaime Pardo Leal se lançou candidato a presidente pela UP e obteve o maior número de votos alcançado até então por um partido que não seja os tradicionais Liberal e Conservador. Foi assassinado em 1987, assim como o senador Manuel Cepeda Vargas, em 1990.Desde a fundação da UP, o número de mortos e desaparecidos chegou a 3.500. Os sobreviventes de massacres e atentados ficam em torno de mil e muitos até hoje sofrem ameaças e têm que viver de forma clandestina. O episódio é o ponto de partida do livro Walking Ghosts, do jornalista estadunidense Steven Dudley – sem edição brasileira. O porta-voz das Farc, Raúl Reyes, declarou no dia 20 de dezembro de 2007 que a condição para a libertação de todos os reféns é a renúncia de Uribe. Enquanto isso, vivia-se a expectativa de libertação de Betancourt e mais duas seqüestradas, com participação de Chávez e do governo francês, que ofereceu asilo político aos guerrilheiros das Farc que eventualmente venham a ser libertados pelo governo colombiano. Toda a disposição da comunidade internacional pode fazer parte do começo de uma mudança ou apenas inspirar outros livros para tentar explicar os conflitos.Refugiados de uma guerra política Uma das dimensões do conflito colombiano é o contingente de deslocamentos forçados provocado por sua continuidade. Enquanto Betancourt mobiliza parte do noticiário, o sacerdote belga François Houtart, secretário-executivo do Fórum Mundial de Alternativas, pede que os refugiados não sejam esquecidos. Em artigo publicado no jornal chileno El Clarín, no dia 16 de dezembro, ele conta que presidiu o Tribunal Internacional de Opinião sobre Deslocamentos Forçados na Colômbia, realizado na capital federal, Bogotá.“Segundo o veredito do tribunal, se trata de uma crise estrutural”, sustenta. “Desde meados dos anos 1980, os narcotraficantes decidiram trazer suas divisas ao país e as lavar mediante a compra de grandes extensões das melhores terras. Os cartéis do narcotráfico, junto com setores da oligarquia, da classe política e as forças militares criaram uma nova versão do paramilitarismo, sob o pretexto de lutar contra a insurgência”, conclui.
Nesse contexto, ele aponta a concentração de terras nas mãos de latifundiários e grandes empresas, incluindo multinacionais como mineradoras e conglomerados de extração de petróleo, além das voltadas ao agronegócio, como principal causa para o crescimento do número de deslocamentos forçados no país.Organizações de defesa dos direitos humanos apontam 3 milhões de deslocamentos internos e 2 milhões de refugiados em outros países. O Acnur trabalha com números mais conservadores, 2,5 milhões internamente e 1,5 milhões em outros países, como reconhece o representante do órgão no Brasil, Luis Varese. Parte dessas pessoas se consideram perseguidas pelas Farc, parte pelos grupos paramilitares ou mesmo por narcotraficantes.A busca por outros países é um movimento que cresce desde o final dos anos 1990. A Venezuela abriga meio milhão deles, o Equador entre 200 e 300 mil. Na Costa Rica, a estimativa é de 60 mil e no Brasil, entre 15 e 20 mil. Os índices relacionados à Europa e à América do Norte são inferiores. Seja por desconhecimento, seja por considerarem desnecessário, nem todos chegam a solicitar a condição política de refugiados, nos locais onde buscam abrigo, o que torna mais complexo lidar com a questão.No Brasil, o órgão responsável pela concessão do asilo e pelo alocamento dos deslocados em 22 cidades de quatro estados é o Comitê Nacional para os Refugiados (Conare), ligado ao Ministério da Justiça, formado por representantes de mais quatro ministérios, além da Polícia Federal, e integrantes da Cáritas Arquidiocesana de São Paulo e Rio de Janeiro e da Acnur.Os refugiados recebem apoio por um período limitado de seis a 12 meses para garantir sua sobrevivência enquanto buscam sua auto-suficiência. Com apoio de quatro diferentes ONGs em cada um dos estados onde há refugiados, busca-se a integração às comunidades onde eles são assentados.
Revista Forum.

Qual é o lago mais mortal do mundo?

As águas tóxicas acomodadas na cratera de um vulcão: a qualquer momento, uma emissão de gases venenosos pode causar novo desastre.
É o Lago Nyos, em Camarões, na África, cujos gases letais já levaram a vida de mais de 2 mil pessoasThiago Medaglia Matéria publicada na edição 197 Terra

Normalmente azul, a superfície do Lago Nyos, em Camarões, no centro-oeste africano, ganhou um sinistro tom avermelhado. O nível de suas águas baixou 1 metro, mas elas, ainda assim, transbordaram, fruto de uma bizarra efervescência. Então, uma densa nuvem cinzenta se formou, composta pelos gases tóxicos emanados do Nyos, deixando um rastro de destruição por onde passava. A mortífera massa gasosa desceu velozmente pelo vale adiante, espalhando-se por 20 quilômetros e matando por asfixia mais de 1700 pessoas.O dobro disso foi perdido em cabeças de gado. Outras 4 mil pessoas escaparam a tempo, mas desenvolveram sérios problemas respiratórios. A vegetação ficou devastada. O mais criativo dos autores de ficção científica talvez tivesse dificuldade para compor um enredo tão assustador. Mas, infelizmente, a tragédia do Lago Nyos aconteceu de fato. Foi em 1986, num dos piores acidentes naturais da história, ocasionado por uma série de eventos sem a menor participação humana.Acomodado na cratera do Monte Oku, um vulcão adormecido, o Lago Nyos, com aproximadamente 1,8 quilômetro de diâmetro e 200 metros de profundidade, é uma evidência das forças pulsantes sob o solo do planeta. Abaixo da cratera, um bolsão de magma incandescente satura permanentemente de gases o fundo do lago - calcula-se em 90 milhões de toneladas a quantidade média de CO2, o dióxido de carbono, contida em suas águas. Quando essa concentração aumenta subitamente, os gases sobem à superfície e envenenam a atmosfera. Em 1986, isso aconteceu numa proporção jamais vista ou imaginada.Outros dois lagos africanos podem apresentar fenômenos semelhantes: o Kivu, em Ruanda, e o Monoum, também em Camarões, cuja maior emissão conhecida de CO2 ocorreu em 1984, matando 37 pessoas. Os cientistas não sabem se essas grandes emissões de gases tóxicos se devem a tremores de terra ou a alguma pequena erupção. Para minimizar novos desastres, as autoridades locais espalharam tubos dispersores de CO2 no Lago Nyos. As ameaças, no entanto, estão longe de acabar.Naturalmente frágil, o muro de rochas vulcânicas que cerca o lago a uma altura de 45 metros pode ceder a qualquer momento - e, nesse caso, as águas do lago, carregadas de veneno, contaminariam rios e vilarejos próximos. O desastre anunciado do Lago Nyos não se encaixa bem nem em enredos de ficção científica. Parece mais um filme de terror.

Os países em desenvolvimento, principais vítimas do aquecimento climático.

Diversos estudos confirmam que os países pobres serão as principais vítimas da mudança climática, ainda que sejam os menores responsáveis por ela, por não serem grandes emissores de gases de efeito estufa. Um estudo publicado no início de setembro deste ano pela Maplecroft, uma consultoria britânica especializada em riscos globais, mostra que os países mais vulneráveis ao aquecimento são a Somália, o Haiti, o Afeganistão e Serra Leoa. Dos vinte e oito países expostos a um "risco extremo", vinte e dois estão situados na África subsaariana.Enquanto isso, em Manila, o Banco Asiático de Desenvolvimento apresentava os resultados de uma pesquisa que concluía que o derretimento das geleiras do Himalaia ameaça a segurança alimentar e a disponibilidade de água dos 1,6 bilhão de habitantes do sul da Ásia. Em Nova York, Rob Vos, diretor do departamento de Assuntos Econômicos e Sociais da ONU, avaliou que "se não reduzirmos as emissões de gases de efeito estufa de forma significativa, os danos causados à economia dos países pobres serão dez vezes maiores do que aqueles registrados nos países desenvolvidos". Vos comentava o relatório publicado por seu departamento. Segundo as conclusões, seria preciso investir todos os anos na atenuação da mudança climática e na adaptação a seus efeitos, da ordem de 1% do produto interno bruto (PIB) mundial, ou seja, US$ 500 bilhões (R$ 855 bilhões).
No desastre climático mais recente, o furacão Ida deixou dezenas de mortos em El Salvador
Alguns meses antes, em maio de 2009, a ONU havia publicado um relatório da Estratégia Internacional de Redução de Riscos, lançado em 2000. O documento faz a primeira síntese dos conhecimentos sobre os desastres naturais que se produziram entre 1975 e 2008. Ainda que reconheça não ser completo, o texto representa um aglomerado único de conhecimentos.Entre 1975 e 2008, ele lista 8.866 desastres que mataram 2.284.000 pessoas. A respeito das inundações, o risco de morte aumentou 13% entre 1990 e 2007. Pode-se dizer que o quadro não é uniformemente catastrófico. O número absoluto de perdas humanas ou econômicas aumenta no período como um todo, mas ele permanece proporcionalmente estável, pelo aumento demográfico e do PIB mundial.Mas, segundo os especialistas da ONU, a situação deverá se deteriorar em razão da mudança climática e da degradação dos ecossistemas. Esta é um fator muito ignorado, pois estes últimos conseguem amortecer o impacto das catástrofes de origem natural. Quanto à mudança climática, ela aumentará o risco dos desastres. A vulnerabilidade das populações é um dos outros fatores que acentuam os riscos. A ação do poder público (normas antissísmicas, etc.) torna-se crucial: o Japão e as Filipinas sofrem com mais ou menos o mesmo número de furacões, mas estes provocam 17 vezes mais mortes nas Filipinas do que no Japão.
Tradução: Lana Lim